Ir para fora cá dentro – Arraiolos – o tapete de Arraiolos

No último post deixei-vos à porta do Centro interpretativo do Tapete de Arraiolos com a promessa de vos mostrar o que por lá vi.

O Centro interpretativo do Tapete de Arraiolos tem como objetivo contar a história do Tapete e preservar a sua memória, mas lá também encontramos 2 zonas com exposições que mudam a cada 3 meses.

Toda a informação que vos mostro/falo foi fornecida à entrada (que custa 1€ para adultos e crianças com +12 anos e 0,5€ para +65 anos) e tenho de relevar e agradecer a simpatia da Sr.ª que nos recebeu.

Assim que entramos somos recebidos no 1º andar com várias exemplares de tapetes e assim que olhamos para as etiquetas é verdadeiramente surpreendente – alguns datam do século XVII…sério!

Não existe muita informação sobre a origem destes tapetes, mas a “teoria aparentemente mais consistente para explicar a origem dos tapetes de Arraiolos atribui o inicio da sua produção a muçulmanos tornados cristãos-novos após o decreto de expulsão do território português ou conversão ao cristianismo que D. Manuel I fez publicar em 1496.

Segundo essa tese, tapeteiros da comuna muçulmana de Lisboa teriam migrado para Sul…, historicamente mais tolerante no plano religioso, e teriam escolhido Arraiolos por ser vila conhecida entre os mouros pela existência de um grande complexo tintureiro… de características semelhantes a um ainda hoje existente em Fez…o que se comprova por escavações realizadas na Praça do Município de Arraiolos já no presente século.”

Arraiolos tapetes escavações tinturaria fez arqueologico

Depois da exposições de tapetes é explicado o processo de fabrico original dos tapetes.

As plantas usadas para fazer os pigmentos naturais para tingir as lãs.

As lãs (sempre lã pura) tingidas e as cores tradicionalmente usadas.

Os utensílios onde eram tingidas

E sabiam que inicialmente era usado linho, estopa ou canhamaço como tela e só mais tarde passou a ser usada a juta ou sarapilheira? :) Por isso podemos percorrer o ciclo do linho também no museu.

12_tapete arraiolos centro interpretativo história lãs tingimento pigmentos naturais ciclo linho espadanar sarilho dobadeira

Com a tela pronta, só falta bordar :) E podemos ver tapetes em várias fases para percebermos como são feitos.

Contorno (a branco). O bordado das flores.

~

e o preenchimento do fundo (a amarelo e azul do lado direito)

E não confundamos o ponto de arraiolos e o ponto de cruz – o ponto de arraiolos é um ponto cruzado obliquo com características próprias.

E para terminar este post, que já vai longo, apesar de não me imaginar a ter estes tapetes em casa, adorei visitar este espaço. Cuidado, didático e acima de tudo dedicado a preservar a nossa cultura.

E o meu favorito foi este

A informação aqui transcrita é proveniente dos panfletos que recebi e do que li por lá. No entanto, é apenas uma parte do que podem conhecer visitando o espaço e que recomendo vivamente.

Quem vive em Lisboa ou arredores pode sem dificuldade dar lá um salto num passeio de Domingo :)

4 comentários:

  1. Adorei esta reportagem, não foi nada longa, sou fã de tapetes de arraiolos, também tenciono fazer um post com alguns tapetes que fiz.
    Já há muitos anos que estive em Arraiolos e desde essa altura fiz durante muitos anos tapetes sem parar.
    Bjs e um bom fim de semana.

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  2. Adorei esta reportagem, não foi nada longa, sou fã de tapetes de arraiolos, também tenciono fazer um post com alguns tapetes que fiz.
    Já há muitos anos que estive em Arraiolos e desde essa altura fiz durante muitos anos tapetes sem parar.
    Bjs e um bom fim de semana.

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  3. Nunca visitei o Centro, de facto muito interessante pelo que nos mostras neste post. Valerá a pena fazer a visita, sem dúvida. Sabes, aprendi a fazer o ponto de arraiolos há muitos anos, com uma amiga que era mais velha do que eu e se dedicava à execução de tapetes de arraiolos. Na altura fiz uma almofada e um painel de parede(pequenito). Hoje em dia tenho alguns tapetes de arraiolos em casa e porquê? porque a minha sogra é mestra de arraiolos! Agora já não faz tantos assim, mas quando a conheci fazia tapetes como quem faz camisolas :) tinha muitas encomendas. Via-a 12 meses por ano sempre com juta no colo, fizesse frio ou calor, sempre a bordar e a fazer exposições. Aliás, ainda hoje mantém o atelier onde ensina, pratica, faz restauros e vende as lãs. Os tapetes de arraiolos principalmente os mais antigos (em desenho e cores) são absolutamente maravilhosos. Obrigada por esta partilha, gostei muito! bjinhos*

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  4. Que giro Ana :) E eu que sou fã de Arraiolos :) Talvez porque goste tanto de ponto cruz, não é a mesma coisa, mas parecido :D :D
    Quando andava na escola, fiz uma almofada, adorei e fiquei fã, mas entretanto nunca mais fiz nada, agora teria de rever como se faz, acho que não será difícil, mas tenho na "minha lista" um dia fazer uns tapetes, não desse género, mas mais modernos, assim como o croché, os Arraiolos, agora também têm modelos modernos :D :D
    Obrigado pela visita guiada, gostei muito :)
    Beijinhos e bom fim de semana :)

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